É grande o número de pessoas até mesmo bem intencionadas, que defende a inclusão do Xadrez nas Escolas, sem saber mesmo os reais benefícios que esse esporte proporciona, muito pelo contrário, impregnados dos tabus e misticismo sobre a “Arte de Caissa” acreditam que o Xadrez deve ser praticado nas escolas, porque “a criança fica mais inteligente”, “aprende melhor a matemática”, etc.
Muito se fala hoje em Xadrez Escolar, mas poucos realmente sabem do que se trata. A grande maioria que se refere ao assunto, trata o Xadrez Escolar, simplesmente como desenvolver o desporto de Xadrez dentro das escolas, como uma atividade a mais entre as diversas modalidades esportivas oferecidas.
Neste caso, a nosso ver, respeitadas as devidas proporções a modalidade é oferecida, como nos clubes. O Xadrez, porém, praticado nos clubes é voltado essencialmente para o aspecto competitivo (como desporto) não supre todas as exigências educacionais.
Faz-se mister, seja trabalhado de forma pedagógica, como um verdadeiro instrumento educacional; daí, a designação de XADREZ ESCOLAR. A educação moderna, voltada cada vez mais, para encerrar o ciclo do ensino por adestramento pela aprendizagem consciente, onde o aprendente é estimulado continuamente, a aprimorar a sua capacidade de pensar.
Neste particular, o Xadrez é uma atividade primordial por excelência, não só por atender às características de desporto estimulando entre outros o espírito competitivo e auto-confiança, como adequando-se sobremaneira, às exigências da Educação moderna.
Vejamos algumas experiências realizadas em diversas partes do mundo.
Bélgica (1976) – O Dr. Johan Christiaen, depois de dois anos de experiências com dois grupos de 20 crianças entre 10 e 11 anos, comprovou que o aproveitamento escolar do grupo experimental, foi 13.5% superior ao do grupo do ensino regular.
New York-USA (1981) – Joyce Brown constatou considerável melhora no comportamento dos alunos – 60% menos incidentes e suspensões, além da melhora no aproveitamento escolar de até 50% na maioria dos estudantes envolvidos.
Marina, Califórnia-USA (1985). George Stephenson, após 20 dias consecutivos desenvolvendo um trabalho com um grupo de estudantes, constatou os seguintes resultados entre os alunos que apresentaram maior aproveitamento escolar:
Rendimento Acadêmico 55%
Comportamento 62%
Esforço 59%
Concentração 56%
Auto-estima 55%
John Nash, John Harsanyi e Reinhard Selten, agraciados em 1994 com o Prêmio Nobel de Economia, fundamentaram seu trabalho na chamada Teoria dos Jogos. (”Durante anos, três acadêmicos que se dedicaram a estudar o comportamento da economia segundo a lógica dos jogadores de xadrez,”……..”ganharam na semana passada o Prêmio Nobel de Economia” – (Revista Veja, 19/10/94 – * Grifos nossos).
Mais recentemente, a revista Exame/julho-99 na área de Administração (pág. 86) publicou excelente matéria sobre a importância do Xadrez na formação empresarial. Outra abordagem excelente, foi publicada na revista Seleções do Reader’s Digest /setembro-99 (Apenas um jogo? pág. 81).
Em nossos 35 anos de experiências e observações desenvolvendo o Xadrez não só em estabelecimentos de ensino como em clubes e até a nível de projetos comunitários, podemos afirmar não só o acerto das experiências citadas, como em aspectos muito mais amplos que não caberiam nesse pequeno espaço.
Voltaremos oportunamente ao assunto.
Por: Prof. Sylvio Rezende
Fonte: http://www.apetx.org.br
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